Em Santarém (PA), Iphan acompanha resultado do inventário inédito de saberes tradicionais da Amazônia Legal

O que é o inventário de saberes tradicionais?

O inventário de saberes tradicionais é uma iniciativa que busca mapear e documentar o conhecimento cultural e os ofícios praticados pelas comunidades não apenas na Amazônia, mas em diversas partes do Brasil. Esse projeto visa assegurar a preservação do patrimônio imaterial, reconhecendo a relevância dos conhecimentos transmitidos de geração em geração, que incluem práticas agrícolas, artesanato, culinária, e muito mais.

Importância do Iphan na proteção cultural

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desempenha um papel crucial na proteção e promoção do patrimônio cultural brasileiro. Por meio de programas como o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI), o Iphan apoia iniciativas que buscam salvaguardar os saberes tradicionais, promovendo o reconhecimento e a valorização das práticas culturais que estão em risco, garantindo direitos e dignidade às comunidades envolvidas.

Quais saberes foram mapeados?

A pesquisa do inventário abrangeu diversas atividades significativas para as comunidades. Entre os saberes mapeados, destacam-se:

  • Pesca artesanal em Santarém (PA)
  • Coleta de açaí no mesmo município
  • Coleta de castanha e extração de óleo de copaíba e andiroba em Oriximiná (PA)
  • Cata de caranguejo e mariscagem em Icatu (MA)

O papel das lideranças quilombolas

As lideranças quilombolas desempenham um papel fundamental no mapeamento dos saberes tradicionais. Sua participação ativa não apenas legitima o processo, mas também fortalece a identidade cultural das comunidades. Durante o seminário realizado, elas puderam compartilhar experiências, discutir desafios e contribuir para a construção de uma base sólida que busca proteger seus direitos.

Desafios enfrentados pelas comunidades

As comunidades quilombolas e outras populações tradicionais enfrentam diversos desafios que ameaçam a continuidade de seus saberes. Dentre eles, podemos citar:

  • Pressões externas: A exploração de recursos naturais e a ocupação desordenada dos territórios podem causar danos irreversíveis às práticas culturais.
  • Falta de reconhecimento: Muitas vezes, a sociedade não reconhece a importância cultural e econômica dos saberes tradicionais, o que pode levar à desvalorização e à perda de identidade.
  • Logística e acesso: O acesso a áreas remotas se mostra difícil, dificultando a realização de práticas que dependem de condições geográficas específicas.

Como a pesquisa foi conduzida?

A metodologia adotada para o inventário seguiu as diretrizes do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), garantindo que o processo fosse respeitoso e representativo. A pesquisa envolveu entrevistas, coletas de dados e registros fotográficos, culminando em um acervo vasto que será compartilhado com as comunidades e disponibilizado em plataformas digitais para maior acesso.



Impacto da pesquisa nas comunidades locais

A realização deste inventário trouxe benefícios diretos às comunidades, como:

  • Aumento da visibilidade: Os resultados permitem que as comunidades sejam reconhecidas como detentoras de saberes valiosos.
  • Fortalecimento da identidade cultural: A valorização de seus ofícios e saberes fortalece a ligação das novas gerações com suas raízes culturais.
  • Proteção legal: O inventário pode servir como apoio para pedidos de reconhecimento e proteção cultural junto às autoridades competentes.

A relação entre patrimônio e direito territorial

Um dos pontos centrais discutidos durante o evento foi a interseção entre o patrimônio cultural e a importância dos direitos territoriais. A proteção dos saberes tradicionais não pode ser eficaz sem a garantia de que as comunidades tenham acesso e controle sobre seus territórios. Isso inclui garantir os direitos de uso sustentável dos recursos naturais e a preservação do ambiente em que suas práticas culturais se desenvolvem.

Próximos passos para a preservação

Os próximos passos incluem:

  • Regularização e tombamento: Continuar os esforços para solicitar a proteção formal de áreas e práticas culturais reconhecidas durante o inventário.
  • Educação e conscientização: Fomentar campanhas educativas que promovam a valorização e o respeito pelos saberes tradicionais.
  • Integração com políticas públicas: Trabalhar em colaboração com o governo para incluir os saberes tradicionais em políticas culturais e sociais.

Como acessar os resultados do inventário?

O material produzido durante o inventário, que inclui mais de duas mil fotografias, documentários e outros registros, ficará disponível nas plataformas oficiais do Iphan e do INRC, permitindo que não apenas as comunidades, mas qualquer interessado possam acessar e aprender sobre esses saberes tradicionais. Isso é essencial para a disseminação e o reconhecimento do valor inestimável que os saberes tradicionais têm para a cultura brasileira.



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