Motivos do Protesto Indígena
O protesto indígena em Santarém, iniciando em janeiro de 2026 e prolongando-se por mais de duas semanas, surgiu a partir de preocupações profundas sobre a exploração de seus territórios e recursos naturais. Os indígenas ocupam áreas estratégicas, como o porto de Santarém e a rodovia Fernando Guilhon, na tentativa de assegurar que suas vozes sejam escutadas. A principal demanda gira em torno da revogação do Decreto nº 12.600/2025, que permite a concessão de hidrovias à iniciativa privada, e que muitos afirmam que compromete suas terras e modo de vida.
Impacto no Acesso ao Aeroporto
Os bloqueios estabelecidos pelos indígenas têm afetado significativamente o acesso ao Aeroporto de Santarém. A rodovia Fernando Guilhon é a principal via de acesso, e sua interdição resultou no cancelamento de voos e na formação de longas filas de veículos. Este impacto não apenas prejudica a população local, mas também afeta o turismo e a logística na região, revelando a extensão da tensão entre os interesses do governo e os direitos dos povos indígenas.
Aumento da Segurança no Porto
Com a intensificação das manifestações, a Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis do Pará elevou o nível de segurança no porto para o nível II. Esta medida reflete a preocupação das autoridades com possíveis distúrbios. O governo, ciente do poder de mobilização dos manifestantes, aumentou a presença policial nas áreas afetadas para garantir a ordem, o que pode agravar ainda mais a situação.

Reivindicações dos Manifestantes
Os manifestantes não apenas exigem a revogação do decreto mencionado, mas também pedem a implementação da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A solicitação é por uma consulta prévia, livre e informada antes de qualquer intervenção em suas terras, especialmente no que diz respeito ao rio Tapajós – uma fonte vital de sustento e cultura para esses povos. A dragagem do rio para permitir a passagem de embarcações comerciais é vista como uma ameaça direta ao seu modo de vida tradicional.
O papel da Polícia Militar
A presença da Polícia Militar, especialmente do Batalhão de Missões Especiais (BME), foi realçada pela Comissão Estadual de Segurança Pública. A portaria autorizando a atuação da força policial é uma resposta ao aumento da mobilização e dos bloqueios realizados pelos indígenas, evidenciando a tensão entre a necessidade de segurança do estado e o direito de protesto dos cidadãos. As autoridades buscam, porém, um equilíbrio que evite a escalada de conflitos.
Reações do Governo Federal
O governo federal, por meio das várias instituições que compõem sua estrutura, tem tentado dialogar com as lideranças indígenas. Contudo, a insatisfação com a forma como esses diálogos têm ocorrido é grande. Os líderes afirmam que as propostas apresentadas foram insatisfatórias e que não houve um verdadeiro compromisso em atender aos seus anseios. A declaração oficial do Ministério de Portos e Aeroportos enfatizou que nenhuma ação avançará sem a devida consulta aos povos indígenas, mas a desconfiança persiste.
Histórico de Conflitos na Região
A região de Santarém tem um histórico de conflitos entre as comunidades indígenas e o governo, exacerbadamente nos últimos anos devido às políticas de exploração econômica. O crescimento da demanda por recursos naturais e a expansão da agricultura e da pecuária têm levado a um aumento das invasões de terras e à degradação ambiental, impactando negativamente os modos de vida indígenas. Essas questões históricas moldam o atual cenário de protestos e reivindicações.
Importância do Rio Tapajós
O rio Tapajós é essencial para os povos indígenas que habitam seus arredores, servindo como fonte de alimento, transporte e cultura. Qualquer intervenção que vise a dragagem ou a concessão das hidrovias para a iniciativa privada é vista como uma violação não apenas das suas terras, mas também das suas tradições e história. Para os indígenas, a luta pela preservação do rio é sinônimo de luta pela própria sobrevivência.
Perspectivas para o Futuro
As perspectivas para a resolução deste conflito permanecem incertas. Enquanto as comunidades indígenas insistem em serem ouvidas e respeitadas, o governo continua a enfrentar pressões econômicas que demandam ações imediatas. A forma como as autoridades lidarem com essa situação poderá definir não apenas o futuro do povo indígena no Baixo Tapajós, mas também a relação do governo com outras comunidades em situações semelhantes ao redor do país.
Como a População está Reagindo
A população local e os movimentos sociais estão atentos ao que ocorre em Santarém. De um lado, há o apoio aos indígenas por parte de grupos de direitos humanos e organizações não governamentais, que veem esta luta como um reflexo mais amplo da resistência indígena no Brasil. Por outro lado, a inquietação entre moradores e comerciantes, afetados diretamente pelos bloqueios e pela interrupção da circulação nos transportes, tem gerado um clima de tensão na cidade. É essencial que o diálogo entre as partes se estreite para evitar uma escalada de conflitos.


